4ª Aula de Fotografia

Até a aula de hoje, estávamos fotografando em preto-e-branco (ou P&B para os íntimos). Nesse sábado, o professor começou a abordar o assunto “cores” para a alegria dos alunos! 🙂 Mas, antes, ele comentou sobre os formatos dos arquivos…

Formato dos Arquivos

Quando fotografamos, a câmera armazena as imagens em arquivos digitais. Existem diversos tipos desses arquivos, mas são usados, basicamente, dois tipos:

  1. JPEG (Joint Photographic Experts Group): é o formato mais comum, pois é relativamente pequeno, com boa qualidade e já pode ser visualizado diretamente porque traz o resultado do processamento da câmera. Esse processamento é o ajuste de brilho, contraste, nitidez, saturação de cores, balanço de branco e muitas outras coisas que o computador que existe dentro da câmera faz para você. Um ponto interessante é que esse formato permite escolher um nível de compactação do seu tamanho. Quanto mais compactado, menor o tamanho e, também, menor a qualidade da imagem final.
  2. RAW: apesar de muita gente escrever esse formato todo em maiúsculo, ele não é uma sigla! “Raw” significa cru, em inglês. E ele tem esse nome porque traz a imagem gerada diretamente pelo sensor da câmera, sem nenhum processamento. Assim, você irá precisar tratar essa imagem em seu computador, da mesma maneira que seria necessário revelar as fotos quando se usa filme. Por este motivo, esse formato também é chamado de “negativo digital”. O momento em que ele é “revelado”, usando softwares específicos, é chamado de “pós-processamento”. Isso tudo pode parecer uma desvantagem, mas permite que você tenha um controle (brilho, contraste, nitidez, saturação de cores, balanço de branco, etc.) muito maior sobre o resultado final da sua foto!

Outro assunto abordado é a resolução das imagens geradas pela câmera, ou seja, a quantidade de megapixels que a foto tem. Essa informação irá se refletir, basicamente, no tamanho da impressão que será possível de ser feita com aquela imagem.

Para saber isso, temos que levar em conta que existe uma coisa chamada “pontos por polegada” (dpi – dots per inch). Uma impressão em papel costuma ter 300 dpis. Isso significa que em uma polegada (2.54 cm) existem 300 pontinhos de tinta. Ou, ainda, um monitor costuma ter 72 dpis. Nesse caso, 72 pixels em uma polegada.

Assim, se que quero imprimir uma foto 10 x 15 cm (4 x 6 pol) temos que ter uma imagem de, no mínimo 2 megapixels. Vejamos:

No lado das 4 polegadas, a 300 pontos por polegada, temos 300 x 4 = 1.200 pontos. No lado das 6 pols, a 300 pontos por polegada, temos 300 x 6 = 1.800 pontos. Para calcular a quantidade de pontos totais, fazemos 1.200 x 1.800 = 2.160.000 pontos, ou 2 megapixels, aproximadamente.

Cores

A cor é uma das características da luz percebida pelos nossos olhos. A quantidade de cores que podemos ver é imensa, mas a câmera só consegue captar uma parte delas. Não podemos nos esquecer que o monitor também possui essa limitação ao reproduzi-las. Esse subconjunto de cores que podem ser captadas/reproduzidas é chamado de “espaço de cores”.

As câmeras trabalham com dois possíveis espaços de cores:

  1. Adobe RGB: indicado para impressão em fine-art.
  2. sRGB: indicado para impressão em mini-labs e para visualização em monitores.

Teoria das Cores

Aprendemos, na escola, que as cores primárias são: o vermelho, o amarelo e o azul; e que, se misturamos duas primárias, obteremos uma secundária: laranja, verde e roxo. O que não aprendemos é que essa não é a única forma de misturar as cores. Essa que aprendemos é chamada síntese subtrativa e serve para pigmentos.

No caso dos sensores da câmera e dos pixels dos monitores, é usado uma outra forma: a síntese aditiva. Nela, as cores primárias são: o vermelho, o verde e o azul; e, as secundárias: amarelo, ciano e magenta. Se misturarmos as três primárias, obteremos o branco.

Uma forma de representar esses sistemas é no círculo das cores. Nele, as cores primárias são dispostas nos vértices de um triângulo imaginário e vão se misturando as cores duas a duas, na disposição de um círculo.

Círculo das Cores

Temperatura das Cores

Uma outra forma de sistematizar as cores é comparando-as com uma escala de temperaturas. Esse é o sistema usando pelas câmeras fotográficas e, nele, cada cor é representada por uma temperatura específica:

1500K 3000K 4500K 6000K 7500K 9000K 10500K 12000K 13500K 15000K

Balanço de Branco

Quando vamos fotografar em um local, ele possui uma temperatura de cor predominante. Por exemplo: se o ambiente está iluminado por luzes de vela, a temperatura de cor predominante é por volta de 1850K. Por outro lado, se for em um local aberto ao meio-dia, a temperatura de cor é mais ou menos 5500K.

Essa diferença faz com que um assunto branco tenha a coloração dessa cor predominante. Para corrigir isso, as câmeras possuem um ajuste chamado “balanço de branco”. A gente indica para a câmera qual é essa temperatura de cor predominante e ela ajusta “puxando” as cores para o outro lado da escala.

Existem diversas pré-configurações, sendo as mais comuns: luz do dia (5200K), sombra (7000K), nublado (6000K), luz de tungstênio (3200K), luz fluorescente (4000K) e flash. Além disso, existe o modo automático, o modo personalizado e um outro em que você indica diretamente a temperatura.

Estilos de Imagem

Um outro controle que as câmeras possuem é o chamado “estilo de imagem” ou “controle de imagem”. Nele, você consegue ajustar alguns parâmetros de processamento como: nitidez, contraste, saturação e tom de cor. Existem algumas pré-configurações como: padrão, retrato, paisagem, neutro, fiel e monocromático. Nesse último é possível ajustar filtro e tom de cor.

Latitude de Exposição

A latitude de exposição é “o quanto a câmera consegue captar desde o branco mais branco com textura/detalhes até o preto mais preto ainda com textura/detalhes”. O olho humano consegue enxergar uma diferença de 10EVs enquanto que as câmeras por volta de 6EVs.

Histograma

O histograma é um gráfico que indica quantos pixels existem em cada diferente intensidade luminosa, desde o preto até o branco. Assim, ele pode ser dividido em áreas: sombras, tons escuros, tons médios, tons claros e altas luzes.

Histograma

Ele permite verificar se a foto foi bem exposta: se o gráfico bater do lado esquerdo, estamos perdendo detalhes nas áreas escuras. Se ele bater no lado direito estamos perdendo detalhes nas áreas mais claras.

No site Cambridge in Colour há um texto bem bacana sobre o assunto.

Processo para Fotografar

Com essas novas informações, nosso processo para fotografar está ficando mais complexo:

  1. Avaliar ambiente:
    • Definir ISO.
    • Definir Balanço de Branco.
    • Definir Estilo de Imagem.
  2. Enquadrar.
  3. Expor:
    • Definir prioridade (velocidade ou abertura).
    • Zerar (ou não) o fotômetro com o outro parâmetro.
  4. Focar.
  5. Fazer a foto.
  6. Conferir o Histograma.

Bom, como viram, foi mais uma aula de bastante conteúdo. E, dessa vez, foi bem difícil acompanhar, pois o almoço depois da saída fotográfica foi feijoada! 🙂

Bora estudar!

Autor: Ramon Chiara

Sou Bacharel em Ciências da Computação pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP) e Mestre em Ciências da Computação e Matemática Computacional pela mesma instituição. Já atuei como Desenvolvedor, Líder de Equipe e Sócio em empresas do Pólo Tecnológico de São Carlos e em São Paulo. Em 2002, fui co-autor do livro "Aprendendo Java 2". Atualmente, sou Analista de Sistemas no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, desenvolvendo sistemas Web em Java e, ultimamente, atuando na área de Segurança da Informação; e, Professor Universitário no Centro Universitário Senac, lecionando disciplinas ligadas à programação. Tenho, na Fotografia e no Aikido, um pouco de intuição nesse meu mar cartesiano. Mais recentemente, me formei em Professional & Self Coaching pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) e esse mar, agora, virou um oceano de possibilidades a serem desvendadas!

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