8ª Aula de Fotografia

Composição

Hoje foi nossa primeira aula sobre Composição, com a professora a Daniela Agostini. As expectativas sobre esse tema são grandes! Eu, por exemplo, já conhecia um pouco da técnica de como fotografar manualmente (“quando era pequeno lá em Barbacena”, meus pais tinham uma Pentax KX e me ensinaram a usá-la), mas sempre me questionei sobre o “olhar fotográfico”. E, mesmo já tendo lido sobre o tema e aprendido algumas “dicas” básicas (regras dos terços, por exemplo), sempre pareceu faltar algo nas minhas fotos. A esperança é que esse módulo ajude a preencher esse vazio…

O que é imagem?

A aula se abriu com essa pergunta e as respostas foram variadas mas, chegamos em três possibilidades:

  1. Lembrança
  2. Registro ou documento
  3. Criação ou expressão

No entanto a professora nos lembrou o mais importante: “imagem é comunicação“. E, comunicação é um processo de transmissão de uma mensagem de um emissor para um receptor.

Essa mensagem, para ser transmitida, precisa de um canal, ou seja, de um meio, que pode ser a fala, uma página de um livro, imagens e até mesmo coisas menos óbvias como as roupas que uma pessoa usa.

Cada canal tem uma linguagem própria, ou seja, uma forma de representar a realidade, idéias, sentimentos, etc.; no caso da fotografia é a linguagem gráfica (o quê e como as imagens “falam”). Foram citadas duas “ciências” que tratam sobre isso: a Gestalt e a Semiótica.

A Gestalt estuda como se dá a percepção que temos das imagens e nos mostra que a percepção do todo não é a simples composição de suas partes.

Já a Semiótica é a ciência dos signos. Um signo é aquilo que significa algo para alguém; por exemplo: ao usarmos a palavra “gato”, sabemos que estamos falando desse animal; ou, ao usarmos a sequência de caracteres 🙂 estamos querendo dizer que estamos sorrindo; ou, ainda, quando vemos a imagem de uma pessoa escalando uma montanha e isso nos faz pensar em superação de desafios (em nossa cultura, essa imagem significa superar desafios).

Os signos, junto com as regras de sua utilização, formam o que é chamado de código. Cada canal também tem um código apropriado, ou seja, uma forma de traduzir a mensagem na linguagem sendo utilizada, para que ela possa ser transmitida.

Vou arriscar um exemplo mais geral: imagine que um menino quer dizer para uma menina que ele gosta dela. Mas, ele é tímido e a entrega uma rosa vermelha.

MensagemTemos, então:

  • Emissor: menino.
  • Receptor: menina.
  • Mensagem: eu gosto de você.
  • Canal: espaço físico entre o menino e a menina (ou, talvez, a própria rosa)
  • Linguagem: gestual.
  • Código: uso do signo “rosa” significando “amor”.

Nota importante: o texto acima é uma interpretação minha em relação a esse assunto; como qualquer outro texto dessa série de posts, usei como fontes: a aula, a apostila, textos diversos e experiência pessoal. Caso algum especialista no assunto encontre algo de errado nesse tópico, por favor entre em contato deixando um comentário, pois tenho o maior interesse em entender mais sobre isso.

A lição que se deve tirar daqui é que é importante ter um grande vocabulário de signos, chamado de repertório. Da mesma forma que, para ler e escrever bem, aprendemos que devemos ler muitos livros da literatura, para criar boas composições devemos estudar as diversas artes visuais nas suas diversas fases históricas de forma a criarmos uma ampla fonte referencial. Somente dessa forma estaremos aptos a compreender uma imagem, bem como a produzir excelentes fotografias.

Composição

Na fotografia, para ajudar na transmissão de uma mensagem recorremos à composição, que é o modo de combinar e reunir, de forma harmônica, as partes de um todo. Mas, essa definição dá a idéia de que estamos começando a criação do zero e, por isso, a professora comentou que gosta de chamar esse conceito de estética (lembrou, inclusive, que o fotojornalismo tem um forte apelo estético). Assim, pode-se dizer que composição são as escolhas que acontecem durante o fazer fotográfico e que irão determinar o resultado final da imagem. Ou ainda, que é como escolhemos contar nossas histórias.

Essas escolhas têm a ver com uma série de elementos (foco, enquadramento, etc.) que serão estudados nas próximas aulas. No entanto, convém saber que existem dois limitantes no momento dessas escolhas: o cenário ou contexto onde o fotógrafo se encontra e o equipamento sendo utilizado. Além disso, é importante lembrar que a interpretação do fotógrafo está sempre presente, ou seja, existem três tempos a considerar: 1) o fotógrafo; 2) a fotografia (mediadora); 3) o leitor. A fotografia é como um copo cheio onde o fotógrafo coloca uma metade e o leitor coloca a outra.

Ensaio

Um ensaio é um conjunto de fotos que se conversam, de forma a trazer uma mensagem mais forte. É uma série de fotos “meio copo” que prendem a atenção do leitor, fazendo ele ficar com curiosidade para ver a próxima.

Ensaio feito no dia da aula:

Criação de Imagens

No momento da criação das imagens também nos deparamos com as seguintes situações: realidade, controle e liberdade estética.

Realidade

A professora nos mostrou dois ensaios:

  1. Do Richard Billingham, onde há realidade factual, ou seja, ele retratou a família problemática do jeito que ela é, sem pudores.
  2. Da Diane Arbus, onde há a realidade do fotógrafo, onde ele transmite a sua idéia da realidade.

Controle

Também foi comentado sobre a questão de que, às vezes, é possível ter um controle sobre cor, luz, etc. Mas, em outras situações, o fotógrafo tem que trabalhar com o inesperado, com o que está à sua frente. Quatro ensaios foram mostrados:

  1. This Is My House“, de David Lachapelle, mostrando controle sobre os elementos de composição.
  2. Albinos“, de Gustavo Lacerda, também mostrando esse controle.
  3. À Flor da Pele“, de Alexandre Severo, também sobre albinos, mas usando o ambiente natural.
  4. Sertanejos“, também de Alexandre Severo, onde ele mostra as duas situações ocorrendo ao mesmo tempo.

Liberdade Estética

Nesse caso, foram mostrados dois ensaios sobre o mesmo assunto: um onde havia uma preocupação com a estética e outro onde havia liberdade estética, ou seja, a fotógrafa quebrava algumas regras de composição para dar um “peso” maior na imagem. Segue o link desse último caso: “A Mother’s Journey“.

Cor vs P&B

Pegando o gancho dos ensaios mostrados no item “Liberdade Estética”, foi comentado sobre um dos elementos de composição, que é o uso ou não de cores. No caso, nos foi mostrado que o uso do P&B tira a atenção dos detalhes e a foca no assunto principal.

E essa foi a aula de hoje! Espero que tenham gostado do resumo e percebido o quanto é vasto esse tema… Com certeza é assunto que não será esgotado no curso!


Em tempo, durante a aula, também foram feitos e/ou comentados:

Exercícios

  • Separar fotos que você vê em duas pastas no seu computador: as que você gosta e as que você não gosta. Com o passar do tempo, as imagens que você gosta fornece um indicativo da sua personalidade como fotógrafo.
  • Passar por uma série de fotografias, fazendo a sua leitura minuciosa, refletindo sobre cada detalhe estético ou de composição.

Livros

 

Autor: Ramon Chiara

Sou Bacharel em Ciências da Computação pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP) e Mestre em Ciências da Computação e Matemática Computacional pela mesma instituição. Já atuei como Desenvolvedor, Líder de Equipe e Sócio em empresas do Pólo Tecnológico de São Carlos e em São Paulo. Em 2002, fui co-autor do livro "Aprendendo Java 2". Atualmente, sou Analista de Sistemas no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, desenvolvendo sistemas Web em Java e, ultimamente, atuando na área de Segurança da Informação; e, Professor Universitário no Centro Universitário Senac, lecionando disciplinas ligadas à programação. Tenho, na Fotografia e no Aikido, um pouco de intuição nesse meu mar cartesiano. Mais recentemente, me formei em Professional & Self Coaching pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) e esse mar, agora, virou um oceano de possibilidades a serem desvendadas!

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